Decisão do Copom

06 DE MAIO DE 2020

A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central, de reduzir a taxa Selic em 0,75% na reunião de maio, atendeu as expectativas dos analistas que defendiam um corte mais pronunciado na nossa taxa de juros, conquanto não fosse o que a maioria do mercado esperava, uma queda menor, de 0,5%. A redução está em linha com a postura de outros bancos centrais, que também vêm promovendo, nas semanas recentes, políticas monetárias expansionistas.

Com a queda de hoje, a Selic renova seu piso histórico, aos 3,0% a.a., o que condiz com uma estratégia de mitigar os efeitos recessivos impostos pela Covid-19, conforme fica explícito no comunicado pós-reunião. Para corroborar, nos últimos dias foram divulgados alguns números que já refletem o forte desaquecimento da economia brasileira. Tanto a produção industrial, que recuou mais de 9% em março, assim como o PMI de serviços, que desabou de 34,5 em março para 27,4 em abril, sugerem que o tombo na atividade econômica deverá ser maior do que os analistas previram inicialmente, quando do início da quarentena.

No texto divulgado, o COPOM sugere que as expectativas de inflação estão abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta de inflação e pede atenção às reformas em curso na nossa economia, avaliando que, caso interrompidas, poderemos observar a elevação da taxa de juro estrutural. 

Nossa percepção, no entanto, é que, a despeito da ênfase condicional sobre as incertezas do quadro fiscal prospectivo, a porta para uma última redução, na próxima reunião, permanece aberta, uma vez que os efeitos deletérios do confinamento social sobre o PIB e o emprego podem permanecer por um tempo superior ao previsto pela autoridade monetária.

Diante desse quadro, reafirmamos que os investimentos em renda variável podem ser beneficiados a longo prazo, uma vez que a renda fixa perde ainda mais atratividade. Ressaltamos, contudo, que o cenário ainda é de grande volatilidade e incertezas, inclusive no front político, o que demanda cautela redobrada nas decisões de eventuais mudanças radicais nas carteiras de investimentos.

Alexandre Espirito Santo, Economista

 

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