Gestor revela como manteve Fundo Multimercado com números positivos durante a pandemia

Em conversa com a estrategista chefe da Órama, sócio da Persevera Gestão de Recursos explica estratégias e aponta projeções mais negativas para recuperação da economia, com queda do PIB perto de 10%.

Mesmo com as quedas generalizadas em março, o Fundo Multimercado Persevera Compass FIC FIM, da Persevera Gestão de Recursos, conseguiu recuperar-se e entregar resultados acima da média ainda dentro daquele mês. Guilherme Abbud, sócio da gestora, explicou as estratégias em live no Instagram com a estrategista chefe da Órama, Sandra Blanco. Ele também abordou suas perspectivas mais pessimistas quanto à recuperação da economia no pós-pandemia.

Segundo Abbud, que é head de Renda Fixa e de Hedge Funds Multimercado da Persevera, a diversificação do principal Fundo, com 20 a 25 posições diferentes, o firme controle de risco e a baixa alavancagem permitiram, apesar da queda, recuperação para o patamar de rendimento de 200% do CDI antes do fechamento de março. No período, a média de queda dos Fundos Multimercado foi de 6,20%, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

“Isso foi possível com muitos ativos aliando ganhos e proteção. Algumas de nossas virtudes nos ajudaram: ter de 20 a 25 operações diferentes com gestores muito experientes e regime de controle de risco, com uma série de regras, desde a limitação do tamanho das posições até as limitações de alavancagem”, explica o gestor.

Em sua opinião, a gestora teve vantagem ao perceber relativamente rápido, no início das notícias sobre o novo coronavírus, que o impacto econômico seria considerável e se estenderia para depois do fim da pandemia.

“Entendemos que o vírus deixaria um legado econômico avassalador. Por isso, reduzimos posições mais arriscadas — comprado em Bolsa, petróleo e moedas emergentes. Ajudou-nos na recuperação avançar em posições em Treasure americano, em ouro, em dólar e na Bolsa da Coreia, por exemplo. Além de uma posição aplicada em juros curtos no Brasil”, revela.

Impactos e projeções da gestora

De acordo com Abbud, os analistas e sócios da Persevera trabalham com o cenário do Brasil inserido em uma recessão de balanços desde 2015. Ele explica que, em uma recessão cíclica — a mais comum a nível internacional — o país cresce, o que gera pressão inflacionária, seu Banco Central sobe a taxa de juros e o crescimento é reduzido em um período de um a dois anos, até a inflação se estabilizar e a economia voltar a crescer.

O que o Brasil enfrenta, nos termos do gestor, é mais “incômodo e brutal”. Na recessão de balanço, o país tem um período prolongado de alto consumo, com financiamentos e empréstimos que levam as empresas a se deixar levar pela alta demanda e também a se endividar com financiamentos.

“Quando vem a recessão, o país despenca, em uma depressão econômica. Crescemos mais que o resto do mundo em 2009, mas foi um exagero. Chegamos atrasados na crise de 2008, e a conta veio”, afirma.

Na avaliação de Abbud, o cenário tem implicações práticas para a economia e os investimentos. A economia cresce muito menos do que o previsto, por um longo tempo. A recessão de balanço faz a inflação cair consideravelmente mais do que esperado — e, como consequência, o Banco Central tem espaço para cortar a taxa de juros além dos patamares que os analistas calculavam.

“No final de 2019, os economistas diziam que o pior já havia passado, o PIB voltaria a crescer e gerar emprego, a inflação subiria em direção à meta e forçaria o Banco Central a parar de cortar juros. E nós dizíamos que o Brasil ainda não estava pronto para crescer 3%, mesmo antes do coronavírus”, afirma.

O gestor acredita que o Banco Central vem subestimando os impactos da pandemia e deverá levar a taxa de juros para perto de zero nos próximos meses. “Em vez de o PIB cair de 4% a 5%, nossa visão é de que não é improvável que ele sofra queda próxima de 10%. A inflação vai despencar, e não é impensável termos deflação no Brasil, de tão avassalador que é o impacto do coronavírus”, declara.

Como fica o investidor?

Abbud afirma que a Persevera continua apostando nas operações de Renda Fixa, pois enxerga boas oportunidades para os investidores na curva de juros. Ante a possibilidade da queda da Selic para a casa de 2% ao ano, ele ressalta que há Títulos prefixados do governo pagando entre 5% e quase 9% em dez anos.

“Isso é uma tremenda oportunidade. E outra coisa que está mudando para o investidor no Brasil: combinar Renda Fixa com Bolsa, algo que nunca havia funcionado antes. Em toda crise, o câmbio estragava essa combinação, mas não somos mais tão viciados no câmbio, o Brasil consegue sobreviver sem fluxo de investimento estrangeiro”, finaliza.

A live com Abbud é parte da grade especial de conteúdos da Órama para analisar os impactos provocados na economia e nos mercados pelo novo coronavírus. São disponibilizados textos, lives e podcasts nos canais digitais da plataforma de investimentos. Veja abaixo a programação:

Programação | Órama Investimentos

Live no YouTube

Quarta-feira (20/05)

20h – Depois da Pandemia: o tema é a reinvenção do agronegócio. O head comercial da Órama Hugo Daniel Azevedo recebe Cassiano Machado Ribeiro, da revista Globo Rural.

Lives no Instagram

Sexta-feira (22/05)

18h30 – Especialistas Órama: entenda a importância da diversificação dos investimentos e confira exemplos de carteiras com Sandra Blanco e Alexandre Espirito Santo, economista da Órama.

Textos no blog

Segunda a sexta-feira

10h – Panorama Diário: as principais notícias do Brasil e do mundo.

Podcast no Spotify

Saúde Mental e Investimentos: existe uma personalidade ideal? O psicólogo financeiro Celso Sant’ Ana explica.

Fonte: G.Lab

Deixe uma resposta