Pressão para uma nova Guerra Fria e os últimos destaques

BRASIL EM FOCO 

Na sexta-feira, o vídeo ministerial, que só foi liberado às 17h, ficou no radar do investidor e junto com recrudescimento das relações entre China e EUA repercutiram negativamente no Ibovespa, que se descolou da situação no exterior. O índice por aqui caiu 1,03%, a 82.173 pontos. Na semana, contudo subiu 1,21%. O dólar PTAX recuou 0,38%, sendo cotado, na venda, a R$ 5,5808, nos últimos 5 pregões a desvalorização da moeda americana foi de 4,16%. No mercado de  juros, os contratos DI para janeiro de 2025 eram negociados à taxa de 6,20%, caindo 18 pontos base na sexta e fechando 57 bps na semana.

O vídeo divulgado pelo ministro do STF Celso de Mello, no âmbito do inquérito que apura a tentativa de interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, não repercutiu tão negativamente para o presidente. O trecho específico sobre a “interferência” é ambíguo e deve ser encarado como uma peça na investigação mais ampla que considera o contexto com um todo. Contudo, apesar de falas polêmicas dos ministros Abraham Weintraub, da Educação, e de Ricardo Salles, do Meio Ambiente, o apoio explícito do presidente às pautas liberais de Paulo Guedes agradou o mercado. (Folha /O Globo

O General Augusto Heleno protagonizou mais um caso de ruído entre os poderes no governo Bolsonaro. O Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, ao tomar conhecimento que o STF encaminhou à PGR (Procuradoria-Geral da República) um pedido de providências feito por parlamentares, que incluía uma possível apreensão do celular do presidente, emitiu uma nota dizendo que pasta faz “um alerta” que uma “tentativa de comprometer a harmonia entre poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional.” (BBC)

No domingo, pelo Twitter, Bolsonaro publicou trecho da lei de abuso de autoridade citando o artigo 28 da Lei 13.869/2019 que estabelece como crime “divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova”. Após fazer a postagem, o presidente deixou o Palácio da Alvorada de helicóptero e sobrevoou a Esplanada dos Ministérios e, sem máscara, encontrou com apoiadores na Praça dos Três Poderes. No local era realizada manifestação pró-governo. (Poder 360)

Por meio de um decreto assinado pelo presidente Donald Trump, os Estados Unidos anunciaram neste domingo (24) que irão barrar a entrada de pessoas vindas do Brasil por causa da pandemia de coronavírus a partir do dia 29 de maio. Essas novas restrições, contudo, não se aplicam aos voos comerciais entre os EUA e o Brasil. O comunicado da Casa  Branca deixa explícito que essa medida é para proteger os cidadãos americanos e que “não reflete de forma alguma uma redução no forte relacionamento bilateral entre nossos dois países”. Os EUA doarão 1.000 ventiladores para o Brasil. (G1)

O Brasil ultrapassou a Rússia e agora é o segundo lugar no mundo com mais casos confirmados de Covid-19, são ao todo 363.211. As mortes somam 22.666 em todo o território nacional.  (Painel Coronavírus)

OBSERVATÓRIO INTERNACIONAL

Os índices acionários de Nova York encerraram a sessão sem direção única, em um misto de otimismo pela reabertura da economia americana, com receios em relação à piora das relações entre os Estados Unidos e a China. O S&P 500 avançou 0,24%, a 2.955,45 pontos na sexta e acumulou alta de 3,20% na semana.

As tensões entre EUA e China estão aumentando. O ministro das Relações Exteriores Wang Yi, voltou a alertar que os americanos estariam pressionando as relações com a China para uma “nova Guerra Fria”. Para o ministro “A China não tem intenção de mudar os EUA, nem substituir os EUA. Também é ‘wishful thinking’ que os EUA mudem a China”. Ele também criticou os EUA por desacelerar suas negociações nucleares com a Coréia do Norte e advertiu-o para não cruzar a “linha vermelha” em relação a Taiwan. Essa última advertência é uma resposta ao secretário de Estado Michael Pompeo, que rompeu com a tradição diplomática na semana passada e parabenizou a presidente da ilha, Tsai Ing-wen, por sua posse no segundo mandato. Pequim considera Taiwan apenas mais uma província. (Bloomberg)

Em Hong Kong, milhares de pessoas protestaram no fim de semana contra a lei de segurança nacional anunciada por Pequim durante as “Duas Sessões”. Os manifestantes se confrontaram com a política local, gás lacrimogêneo foi disparado e ao menos 180 pessoas foram detidas. (South China Morning Post

O governo de China continental se apressou para enfatizar que o projeto de introduzir legislação de segurança nacional para a Região Administrativa Especial de Hong Kong não afetará o alto grau de autonomia. Pelo contrário, a legislação servirá como reforço institucional do princípio “um país, dois sistemas”, para salvaguardar o Estado de Direito e um ambiente de negócios estável em Hong Kong, além de proteger o bem-estar da grande maioria dos residentes da Região. (Xinhua)

O Japão suspenderá o estado de emergência para Tóquio e outras áreas restantes que ainda enfrentam restrições na segunda-feira (25). Além disso o governo anunciou um plano para um novo estímulo no valor de quase US$ 1 trilhão para ajudar as empresas a enfrentar a pandemia de coronavírus. (Reuters)

No mundo, o número de casos ultrapassou a marca dos 5,4 milhões e 345 mil óbitos por coronavírus. Os EUA respondem por 1.643.246 diagnósticos confirmados e 97.711 mortes.  (Johns Hopkins)

Nesta manhã, as reaberturas das economias ao redor do mundo, com os novos cases de Covid-19 diminuindo nos países desenvolvidos, pesam mais do que as tensões entre EUA e China. As bolsas fecharam em alta na Ásia. Na Europa, os índices avançam mais de 1,5%. Os futuros de Wall Street também são negociados em campo positivo, mas hoje é feriado no EUA e não haverá pregão. O yuan renminbi é estabelecido a 7,1209 por dólar. A referência da moeda chinesa neste patamar é a mais fraca desde 2008.

RESUMO DOS MERCADOS

Dólar PTAX R$ 5,5808 – 0,38%
DI Fut Jan/25 6,20% – 18 bps
Ibovespa 82.173 pts – 1,03%
S&P 500 2.955 pts + 0,24%
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