Meta da Selic em 3% e os destaques do mês

RESUMO DO MERCADO  NO MÊS

Dólar PTAX R$ 5,4263/US$ – 0,01%
Taxa DI (Jan/25) 5,97% – 58 bps
Ibovespa 87.410 pts + 8,57%
S&P 500 3.044 pts + 4,53%

INVESTIMENTOS

O Brasil se tornou o epicentro da pandemia e os indicadores econômicos só confirmaram o que já esperávamos: mais desemprego e menos crescimento. 

Nesse cenário recessivo, o BC cortou 75 pontos bases da Selic, agora em 3% ao ano. O Congresso aprovou a PEC do “Orçamento de Guerra” e o presidente sancionou o projeto de socorro a Estados com veto ao reajuste salarial de algumas categorias do funcionalismo público, tudo isso em meio a muito ruído político em Brasília. 

Mas o fim das contas, o que tem pesado na decisão dos investidores ao redor do mundo é a retomada gradual das atividades em vários países e o ambiente de juros baixos, que beneficia o mercado acionário. O Ibovespa avançou 8,57%, registrando 87.410 pontos ao final de maio, correção de 38% da queda em dólar desde março. No ano, ainda recua 24,42%, o equivalente a -43,86% em dólar.

Nos EUA, o S&P 500 avançou 4,53%. As perdas do ano foram quase que totalmente recuperadas. O Nasdaq Composite avançou 6,75 e já reverteu o acumulado do ano para lucro de 5,76%. Valorizações também foram registradas na Europa e Ásia, com exceção para Hong Kong e Índia.

O dólar Ptax, que flertou com a cotação de R$ 6,00,  fechou a R$ 5,4263, praticamente na estabilidade em relação ao mês passado. No ano, a depreciação do real em relação à moeda americana é de 34,62%. 

No mercado de juros, o índice IRF-M, carteira teórica de títulos públicos prefixados, avançou 1,42% e acumula 4,05% no ano, contra 1,54% do CDI, que no mês variou 0,24%. O IMA-B, indicador representativo dos títulos públicos atrelados à variação do IPCA (índice oficial de inflação) subiu 1,52%, todavia este ainda acumula perdas de 3,64% no ano. O IPCA em abril registrou deflação de 0,31% e a expectativa para maio é de outro mês de recuo. 

Com isso, os resultados dos fundos de renda fixa e inflação foram positivos no mês. Os multimercado também auferiram ganhos com o fechamento da curva de juros e a alta das ações.

No mercado de crédito privado, a volta da funcionalidade explicou alguma recuperação nos preços dos títulos, que refletiram nos retornos dos fundos desta categoria.

Nossa hipótese é de recessão em formato “Nike”, ou seja, a retomada não vai ser tão rápida como a em formato V, porém, a recessão não vai ser tão extensa quanto a do formato U, nem o pior cenário, que é quando não se avista a recuperação, o formato L.  

Após atualização das premissas, esperamos mais uma redução da Selic, com o BC levando-a para 2,25% e encerrando o ciclo de cortes. Passando a crise, porém, a autoridade monetária se empenhará em levar a inflação de volta para mais próximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que é 4% em 2020 e 3,75% em 2021. Para esse ano, IPCA deverá ficar em torno de 2%, que é abaixo do limite inferior de 2,5%. Os efeitos da pandemia na economia e a queda dos preços dos combustíveis são desinflacionários e levaram à deflação recente. O dólar deverá se estabilizar no patamar de R$ 5,25 até o fim de 2020, o que embute um prêmio de 15% acima da taxa média real histórica. A projeção para o Ibovespa é 93 mil pontos. Para avançar, após a correção desde março, será preciso de fundamentos. Embora com os juros muito baixos, o custo de oportunidade quase zero em termos reais, a bolsa torna-se um investimento muito atrativo.

PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS

SOBRE A PANDEMIA

No mundo, o número de pessoas com coronavírus ultrapassou os 6,1 milhões com 371 mil mortes. Nos EUA, os casos confirmados somavam 1,78 milhões e os óbitos estavam na casa dos 104 mil. O Brasil se tornou, em maio, um novo epicentro da doença, ocupando o segundo lugar global em relação ao o número de casos, com 515 mil diagnósticos confirmados. O total de falecimentos em decorrência da Covid-19 se aproxima dos 30 mil.

Apesar dos números negativos da doença, o mês foi de certo otimismo com diversos países planejando o fim do isolamento social, ou já reabrindo suas economias. O medo de uma segunda onda de contágio, contudo, está sempre no radar. Os governos estão agindo com cautela e acompanhando os indicadores de saúde pública para conduzir esse processo, retrocedendo nas medidas, quando necessário. 

Alemanha, Itália,  Inglaterra, Estados Unidos, Japão, China, Coreia do Sul entre outros, em algum nível, já flexibilizaram as medidas de isolamento social. Frente ao aumento do número de novos casos, esses países recuaram em algumas cidades específicas, mas, no geral, estão conduzindo a reabertura de forma gradual. O governo de São Paulo também já apresentou um plano para saída da quarentena.

Um outro fator que vem aumentando o otimismo do mercado em relação à doença é o avanço no desenvolvimento de medicamentos e vacinas. A empresa de biotecnologia americana Moderna anunciou que a primeira vacina para a Covid-19 a ser testada em seres humanos parece segura e capaz de gerar anticorpos contra o coronavírus. Os resultados são ainda preliminares com uma amostra de apenas oito voluntários, o que  gerou questionamentos da comunidade científica sobre o experimento. Entretanto, mesmo sem um tratamento já comprovadamente eficaz, parte da confiança é derivada da quantidade considerável de projetos em diversos países em andamento com progresso em várias frentes.

No Brasil, contudo, em plena pandemia, estamos sem um Ministro da Saúde oficial. Nelson Teich, com menos de uma mês no cargo, pediu demissão depois de não concordar com os pedidos do presidente Jair Bolsonaro de liberar o uso da cloroquina. O general Eduardo Pazuello assumiu de maneira interina o Ministério e já aprovou um novo protocolo do Ministério autorizando os médicos a prescreverem a cloroquina para inclusive para casos leves.  

IMPACTOS ECONÔMICOS 

Na economia, ao longo de maio, os indicadores foram acompanhados de perto, pois os dados de abril foram os primeiros a retratar um mês completo sob o isolamento social, ao menos no Brasil.

Na indústria automobilística a retração foi recorde. Com quase todas as fábricas fechadas por conta da pandemia, a produção diminuiu 99,3% na comparação com abril de 2019, somando 1,8 mil unidades. Esse número equivale a produção de veículos no mês em 1957. 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,31% em abril. O IPCA-15, já indica o cenário mais negativo ainda, com recuo de 0,59% na inflação. 

No mercado de trabalho, os dados do Caged mostram que em abril foram fechadas 860.503 vagas com carteira assinada no país.

Com um cenário de desaceleração mais acentuada, o Copom foi mais agressivo e definiu a meta da taxa Selic em 3% a.a., um corte de 75 bps. O Banco Central sinalizou ainda que na próxima reunião do Comitê poderá ter um corte da mesma magnitude.  

As adaptações das estimativas se estenderam também para o Ministério da Economia que recalculou suas projeções para um retração de 4,7% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Em janeiro, a previsão era de crescimento da economia na ordem de 2,4%. O número oficial do PIB no primeiro trimestre foi de -1,5%, comparado ao quarto trimestre de 2019, na série com ajuste sazonal.

Pelo mundo, os efeitos da pandemia também se mostraram bastante recessivos. Nos EUA, em abril, foram cortados 20,5 milhões de empregos, em um movimento sem precedentes, triplicando a taxa de desemprego para 14,7%, a mais alta desde a Grande Depressão da década de 1930.

A produção industrial de março da Alemanha, a maior economia da Europa, caiu 9,2%, a maior queda desde o acompanhamento dos registros em 1991. Na França despencou 16,2%.

A China, entretanto, vem se despontando como o primeiro país a mostrar sinais de recuperação. O índice de gerentes de compras – PMI calculado pelo Caixin/Markit subiu para 50,7 em maio, ante 49,4 em abril. Leituras acima de 50 indicam expansão dos pedidos, enquanto abaixo da marca de 50 é um sinal de retração do setor.

Em meio aos desafios econômicos, um ponto visto como positivo foi o avanço de uma coordenação fiscal na Europa. A Comissão Europeia estabeleceu um plano de resposta à crise de US$ 2 trilhões. A proposta é composta por um plano de recuperação de 750 bilhões de euros (US$ 824 bilhões) e um orçamento de 1,1 trilhão de euros nos próximos sete anos. Se esse pacote for aprovado pelos 27 estados-membros, esse volume financeiro aprofunda ainda mais a união econômica do bloco.

MEDIDAS DO GOVERNO FEDERAL DO BRASIL 

O Congresso aprovou a PEC 10/2020, também chamada de PEC do “Orçamento de Guerra”. A proposta cria um orçamento paralelo para o governo lançar as despesas do combate ao coronavírus sem as amarras do teto fiscal, mas também impedindo que os gastos extraordinários se tornem permanentes após o fim da calamidade. Essa PEC também amplia o escopo de atuação do Banco Central que passa a poder atuar no mercado secundário de títulos privados.

Quanto ao apoio direto à população mais vulnerável, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que governo pode prorrogar o auxílio emergencial para além dos 3 meses iniciais, por mais um ou dois meses. A condição de Guedes é que haja uma redução do seu valor de R$ 600,00 para R$ 200,00.

No âmbito do federalismo, presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto de socorro a Estados que define repasse de R$ 60 bilhões. Para isso, como contrapartida, Bolsonaro vetou o trecho do projeto que permitia reajuste salarial a algumas categorias do funcionalismo público. 

Todos os dias são lançados novos projetos de lei, medidas provisórias e resoluções. Para acompanhar o andamento dessas iniciativas, o Ministério da Economia reuniu as informações nesta página. Já para entender as medidas de promoção de liquidez para o bom funcionamento sistema financeiro consulte a seção específica do Banco Central aqui.

RUÍDOS POLÍTICOS

A tônica de maio na política foi a disputa entre os poderes. A saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça não foi pacífica. o ex-juiz da Lava-jato, apontou em seu depoimento na Polícia Federal que o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, teria provas materiais que confirmariam a sua versão de que o presidente Jair Bolsonaro buscava intervir no comando da política federal para obter informações que lhe interessavam pessoalmente.   

O vídeo, contudo, não foi a “bala de prata” que se esperava tendo que ser analisado como mais uma prova dentro de um contexto maior. O governo foi bem sucedido em lidar com essa “crise” ao antecipar as partes polêmicas do vídeo antes da divulgação pública, apontando sua própria versão da história de que o presidente se tratava de mudar pessoas da sua segurança pessoal e não da PF. 

O Congresso, o STF, os governadores e a mídia vêm sendo alvos de críticas em seguidos atos pró-governo, que contam com a presença do próprio presidente. Essa postura do Bolsonaro vem gerando um certo mal-estar institucional.

Com diversos pedidos de impeachment na mesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, Bolsonaro adotou a estratégia de se aproximar de políticos do “Centrão” que, em troca cargos e verbas, passaram a garantir, ao menos por enquanto, uma base parlamentar para aprovação de projetos que interessem ao governo, ou obstrução de um eventual processo de afastamento.

O STF vem sendo bastante criticado de forma mais ampla, não só pelo governo, em especial na condução do inquérito das Fake News. Já foram autorizados pedidos de busca e apreensão na casa de apoiadores de Bolsonaro e essa investigação pode vir atingir Carlos Bolsonaro e o chamado “Gabinete do ódio”. Essa investigação pode também fornecer insumos para outra investigação que corre no TSE sobre financiamento ilegal para o envio em massa de mensagens de texto durante a campanha eleitoral. Se comprovada irregularidades, a chapa Bolsonaro – Mourão pode ser cassada.

A RELAÇÃO DOS EUA – CHINA

Os EUA e a China elevaram o tom de suas disputas. Os americanos no início do mês começaram a levantar suspeitas sobre a omissão proposital de informações sobre a doença na China. Esse posicionamento do presidente americano e do secretário de Estado, Mike Pompeo, chamando inclusive o vírus de  “vírus chinês” corrobora para um acirramento das divergências entre os países. 

Na China, durante as “Duas Sessões” – encontro anual do legislativo –  foi aprovada uma nova Lei de Segurança Nacional para Hong Kong. Na teoria, essa lei reduz a autonomia da ilha ao permitir a China atuar para reprimir atos que o governo de Pequim possa classifique como subversivos. Com o aumento da insegurança jurídica na Região Administrativa Especial, Trump anunciou que irá rever os benefícios comerciais com a ilha. Há um receio de que essas tensões resultem em uma revisão da “fase 1” do acordo comercial, mas até o momento esse movimento não se concretizou.

É importante contextualizar a disputa com a China na lógica eleitoral americana. De olho na eleição para presidente, que deve acontecer em novembro desse ano, e com uma recessão global que vem se formando, Donald Trump se alavanca politicamente na briga com a China evocando um discurso nacionalista, protecionista e apontando um “culpado” pela situação atual.

INDICADORES ECONÔMICOS

BRASIL

PIB 1º trimeste 2020: –1,5%

Taxa Selic: 3% a.a.

Desemprego: 12,6% no trimestre móvel encerrado em abril.  A população desocupada teve aumento de 7,5% chegando a 12,8 milhões de pessoas.

Inflação (IPCA-15): deflação de 0,59%.

MUNDO

Vendas no varejo nos EUA: – 16,4% (expectativa era de -12%).

Emprego nos EUA: + 40,8 milhões de pedidos de auxílio desemprego em 10 semanas.

PMI Composite da Zona do Euro: 30,05 pontos (maio).

PMI Industrial da China: 50,7 pontos (maio).

As informações contidas neste material têm caráter meramente informativo, não constitui e nem deve ser interpretado como solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. Este material é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da Órama Investimentos, incluindo agentes autônomos e clientes, podendo também ser  divulgado no site e/ou em outros meios de comunicação da Órama. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da Órama.

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