Incertezas no cenário eleitoral americano e os destaques da semana

Panorama Semanal de 21 a 25 de setembro*

Foi uma semana de incertezas do cenário americano somadas ao novo surto de Covid-19 na Europa, além do debate sobre a questão tributária e fiscal no Brasil.

Nos EUA, o presidente Donald Trump disse que vai indicar o nome para substituir Ruth Bader Ginsburg ainda esta semana, ignorando o fato de ser ano eleitoral e a orientação anterior, de que o presidente eleito é quem determina o substituto. Amy Coney Barrett, conservadora, deve ser a indicada. O pano de fundo é a questão do aborto, um direito de todas as mulheres americanas desde 1973, mas que pode cair, se houver maioria conservadora na Suprema Corte.

Em meio ao cenário eleitoral, outro assunto de destaque nos EUA é a demora na aprovação de um novo pacote de estímulos, apesar do apoio do Federal Reserve, o banco central americano. Segundo Jerome Powell, do Fed, e Steven Mnuchin, do Tesouro americano, recursos em fundos não utilizados de um pacote de auxílio do Covid-19 de US$ 2,3 trilhões poderiam ser direcionados a famílias e empresas.

Os senadores republicanos vêm afirmando que vão apoiar uma transição pacífica se o democrata Joe Biden ganhar a eleição presidencial. Trump, ao contrário, tem recusado a se comprometer com uma transicão pacífica do poder, caso perca.

Protestos raciais voltaram a se intensificar no país, após um júri de Louisville, Kentucky, ter indiciado apenas um policial pela morte de Breonna Taylor.

O tema Tik-Tok permanece nas manchetes, para muito além de um negócio privado. Agora, a mídia estatal chinesa diz que há “uma armadilha americana” e um “truque sujo e dissimulado”. A disputa envolve o controle nas mãos da ByteDance ou da Oracle Corp.

A China prometeu ser neutra em carbono até o ano de 2060.

Enquanto países da Europa voltam a enfrentar surtos de Covid-19, alguns avanços são feitos no desenvolvimento de vacinas. A da Johnson, por exemplo, não precisa estar congelada e pode requerer apenas uma dose, em vez de duas. Já a chinesa CoronaVac não causou efeito colateral em 94,7% dos 50 mil voluntários na China. Esta vacina está na fase 3 de testes no Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro discursou na abertura dos debates da 75ª Assembleia Geral da ONU. Ele gravou uma defesa da atuação de seu governo frente à pandemia de coronavírus (“ao presidente, coube o envio de recursos e meios” aos estados) e disse que é vítima de uma campanha de desinformação a nível global, com o foco em Amazônia e Pantanal. Segundo ele, por serem úmidos, esses biomas não deixam o fogo se alastrar. A causa dos incêndios seriam as queimadas provocadas por índios e caboclos.

Enquanto isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a criação de um tributo alternativo, nos moldes da CPMF. Segundo Guedes, haverá substituição tributária. No Congresso, no âmbito da PEC do Pacto Federativo, o programa Renda Cidadã – no lugar do “Renda Brasil” – começa a ser negociado. O respeito ao teto dos gastos é outra variável dessa equação. Um calendário para a votação das propostas deve ser aprovado na próxima semana.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,45% em setembro.

Na política do Rio, duas notícias de grande repercussão. Os deputados estaduais encaminharam a julgamento, por unanimidade (69 votos), o governador Wilson Witzel, acusado de crime de responsabilidade por desvio de dinheiro público. No âmbito municipal, o TRE aprovou, também por unanimidade (7 votos) a inelegibilidade do prefeito Marcelo Crivella até 2026. Cabe recurso ao TSE.

No pregão desta quinta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,33%, a 97.012 pontos. O dólar encerrou em queda de 1,34%, cotado a R$ 5,512.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até 25/9, às 9h.

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