O fantasma da inflação

Na economia é importante, por exemplo, compreender que inflações elevadas prejudicam os mais pobres e ampliam a diferença entre classes sociais, a favor dos mais ricos. Como gosto de metáforas, a inflação é uma espécie de imposto, sem boleto, que é “pago” sobretudo pelos que não podem se defender dela.

Nos últimos dias, a alta dos preços vem causando impressões divididas: de um lado apreensão em alguns economistas, de outro aqueles que acreditam que não há motivo para preocupação, já que a inflação está em torno de 3,5% em doze meses. Para Alexandre Espirito Santo, não é necessário “perder o sono”, mas é preciso estar atento. Com um pouco de história, ele explicou e comentou o processo inflacionário no Brasil:

O Plano Real, de meados da década de 1990, foi o mais eficaz programa de estabilização monetária já adotado. Saímos de uma hiperinflação de 5.000% para números aceitáveis, condizentes com o de países desenvolvidos. Foi uma grande vitória. Infelizmente, entretanto, muitos dos instrumentos de autodefesa, que a sociedade brasileira criou contra a elevada carestia, ainda estão vivíssimos, caso dos reajustes de contratos indexados à inflação passada.

Outro aspecto diz respeito à causa fundamental de um processo inflacionário, qual seja, o descontrole da emissão monetária ocasionado pelo rombo fiscal. Explicando para um leigo, déficits públicos monstruosos tendem a ser monetizados (emissão de reais) a médio/longo prazo pelo banco central, depreciando a moeda.

Entenda melhor esse processo e confira as projeções do nosso economista na coluna dele para o Valor Investe.

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