Invasão do Capitólio por apoiadores de Trump e os destaques da semana

Panorama Semanal de 4 a 8 de janeiro*

INVASÃO NOS EUA

A inacreditável invasão do Capitólio por apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump, foi o destaque da primeira semana de 2021 no noticiário. O fato chocou os Estados Unidos e o mundo. 

Ao discursar perto da Casa Branca, Trump incitou seus apoiadores a se dirigirem ao Capitólio para demonstrar sua insatisfação com o resultado das eleições. O objetivo seria forçar os parlamentares para que a vitória de Joe Biden não fosse confirmada. Houve invasão do Capitólio, destruição, prisões e cinco mortes – em um episódio que representou uma ameaça à democracia. 

Trump – que chegou a dizer que “amava” os invasores – está sendo pressionado a deixar a Casa Branca antes do dia 20 de janeiro, quando seu mandato se encerra oficialmente. No dia seguinte à invasão, Joe Biden foi confirmado presidente pelo Congresso dos EUA. 

No Brasil, ao comentar o episódio, o presidente Jair Bolsonaro disse que houve fraude nas eleições dos EUA e que, em 2022, se o voto não for impresso, haverá “problema pior” do que o acontecido no Capitólio. Sua declaração foi criticada por juristas, políticos e especialistas.

MAIORIA DEMOCRATA NO SENADO

Nos Estados Unidos, em fato inédito, os democratas ficaram com as duas cadeiras no segundo turno para o Senado na Georgia, o que dá o controle também do Legislativo ao partido de Biden. O estado da Georgia, que elegeu Biden, não apoiava um democrata há 30 anos. Em conversa telefônica, Trump pressionou o secretário do estado a mudar os votos totais – o que foi refutado. 

Com a força dos “azuis”, a expectativa é que cresça o papel do Estado americano na economia, com mais gastos. Ainda no fim de 2020, Biden defendeu a necessidade de um novo pacote fiscal em 2021. A partir dessa expectativa de mais dinheiro na atividade econômica, as bolsas registraram resultados positivos. No Brasil, o Ibovespa bateu recorde.

VACINA NO BRASIL

Por aqui, as notícias giraram em torno das vacinas. Em um processo ainda muito confuso, dominado por interesses políticos – em um cenário onde já há a confirmação de casos pela mutação britânica do coronavírus e as mortes por Covid-19 chegaram a 200 mil – uma boa notícia foi a de que a CoronaVac tem eficácia de 78% em testes feitos no Brasil. De acordo com o ministro Pazuello, o governo assinou contrato para comprar 46 milhões de doses da vacina, que será produzida no Instituto Butantã, em São Paulo.

E o presidente Bolsonaro editou uma MP que permite um processo simplificado – como contratos sem licitação até antes do registro sanitário e do aval da Anvisa para uso emergencial – para comprar vacinas contra a Covid-19 e também os insumos necessários para a imunização.

Importação de vacinas da Índia, vacinação em clínicas particulares, falta de seringas, redução das duas doses recomendadas para uma só – tudo isso vem sendo discutido e vem gerando polêmica e atrasos para o início da vacinação no Brasil. Cerca de 50 países já começaram a imunizar suas populações.

COVID-19 NA EUROPA

Na Europa, a quarentena ficou mais rígida. O Reino Unido entrou em seu terceiro lockdown, que pode durar até março. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel disse que o lockdown vai até o fim do mês. 

QUESTÃO FISCAL E ELEIÇÕES NA CÂMARA

Além das vacinas, o grande assunto no Brasil é a questão fiscal. O presidente Bolsonaro, em declaração polêmica, disse que Brasil “está quebrado” e não consegue “fazer nada”. O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou colocar panos quentes, dizendo que o presidente fazia referência ao setor público, o que significaria respeito ao teto de gastos. 

Na esfera política, repercutiu o lançamento da candidatura do deputado Baleia Rossi, indicado por Rodrigo Maia, à presidência da Câmara dos Deputados. Ele defendeu a ampliação do Bolsa Família ou a volta do auxílio emergencial.

MERCADOS

Apesar das preocupações fiscais, a expectativa de injeção de recursos nos EUA e o otimismo com a CoronaVac fizeram com que o Ibovespa registrasse alta de 2,76% aos 122.385 pontos, maior patamar histórico, no pregão desta quinta-feira, dia 7/1. A alta do petróleo, com cortes na produção da Opep, também favoreceu o rali da semana. O dólar fechou em alta de 1,77%, cotado a R$ 5,39. 

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

*Dados atualizados até às 9h30 de 8/1.

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