Com novo recorde de mortes por covid-19 em 24h, Brasil é citado como alerta para o mundo e os destaques da semana

Panorama Semanal de 1º a 3 de março*

DESTAQUES

A semana teve divulgação do PIB, aprovação da PEC do Auxílio Emergencial e avanço do pacote de estímulos nos Estados Unidos, mas o principal destaque no noticiário foi o novo recorde de mortes por Covid-19 no Brasil em um único dia. A situação se agrava com as novas variantes e o colapso do sistema de saúde em vários estados, enquanto a vacinação caminha de modo lento e desorganizado.

Nesse contexto, o Brasil vem sendo citado na imprensa como global como um “case” preocupante, um alerta para o mundo, segundo especialistas. Para tentar conter a doença, Rio e São Paulo, entre outras localidades, decidiram ampliar temporariamente as restrições na circulação das pessoas e na atividade comercial – medidas não defendidas na esfera federal e classificadas como “mimimi” pelo presidente Jair Bolsonaro. 

COVID-19 NO BRASIL

Foram 1.910 mortes por Covid-19 em um só dia. Especialistas preveem que esse número pode chegar a 3 mil por dia. No total, desde o início da pandemia, já são mais de 260 mil vidas perdidas. Em paralelo, o percentual da população vacinada está em torno de 4%. Por trás do avanço da doença, além das aglomerações, estaria a P.1, variante brasileira do coronavírus, duas vezes mais transmissível que o Sars-Cov-2, e com maior propensão a causar reinfecção. A estimativa de vacinação de toda a população até o fim deste ano se vê comprometida, a partir do não cumprimento das projeções do Ministério da Saúde sobre os recebimentos das doses dos imunizantes.

Em meio ao cenário de crise humanitária, o presidente Bolsonaro afirmou que “a vida continua”.  Em um evento em Goiás, Bolsonaro disse: “Tem idiota que a gente vê (dizendo) nas redes sociais, na imprensa: ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo.”

No Congresso, o Senado aprovou a Medida Provisória, já sancionada, que permite ao governo comprar vacinas sem licitação e também sem o registro da Anvisa. Na Câmara dos Deputados, foi aprovado o texto base para que as empresas privadas possam também adquirir vacinas diretamente de laboratórios, mas com a necessidade de ter o “ok” da Anvisa. Nesse caso, as doses – que não podem ser vendidas – devem ser doadas ao SUS para a imunização dos grupos prioritários. Em um segundo momento, metade das doses poderá ser usada pelas empresas para vacinar funcionários. 

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou que vai assinar nos próximos dias um acordo para comprar 100 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech. Outro acordo que pode ser fechado é com a Janssen (Johnson&Johnson). Além de 38 milhões de doses para o segundo semestre, estaria sendo negociada a instalação de uma fábrica de vacinas no Brasil.

AUXÍLIO EMERGENCIAL

O Senado aprovou, em segundo turno, a PEC Emergencial, que possibilita o novo auxílio emergencial a partir de créditos extraordinários, sem ser limitado pelo teto dos gastos, mas que não pode passar de R$ 44 bilhões. O valor individual deve variar de R$ 150 a R$ 375, de acordo com a composição familiar.

RECUO NO PIB

O PIB do país recuou 4,1% em 2020, na comparação com o ano anterior. Foi, de acordo com o IBGE, o pior desempenho em trinta anos (em 1990, ano do confisco no governo Collor, a queda foi de 4,37%). O país, que era a 9ª economia do mundo, está agora na 12ª colocação. Bolsonaro disse que o Brasil foi “um dos países que menos caiu no mundo todo”, ressaltando que o auxílio emergencial concedido “fez a economia se movimentar”. Em janeiro, a produção industrial do país registrou alta menor, de 0,4%.

CAUSAS DE VOLATILIDADE NO MERCADO

Outros assuntos movimentaram a semana, gerando volatilidade nos mercados. Alguns desses assuntos foram a alta de impostos para aliviar o preço dos combustíveis, as expectativas quanto a um pronunciamento presidencial em cadeia nacional, os panelaços contra o governo e os rumores quanto à permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes.

A queda na popularidade presidencial esteve em pauta, bem como a questão da interferência na estatal. E CVM decidiu investigar quem lucrou milhões nas transações com opções de venda de ações da Petrobras. A compra pelo senador Flávio Bolsonaro de uma mansão avaliada em cerca de R$ 6 milhões, em Brasília, também gerou polêmica. 

PACOTE DE ESTÍMULOS NOS EUA

Nos Estados Unidos, o pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão foi aprovado pela Câmara e começou a ser debatido no Senado. Além dos estímulos, a ação firme de Joe Biden no sentido de vacinar a população pesa positivamente. O presidente do Fed (banco central dos EUA), Jerome Powell, disse que a criação de vagas no país ainda é “insuficiente” e que ainda vai levar muito tempo até o país atingir o pleno emprego. Por outro lado, no mercado, o nervosismo é com a alta dos juros nos Treasuries.

CHINA

Na China, o primeiro-ministro Li Keqiang divulgou uma meta de crescimento econômico acima de 6% para o país este ano, que ficou abaixo do esperado pelos analistas, em torno de 8%.

No pregão desta quinta-feira, o Ibovespa teve alta de 1,35%, fechando em 112.690  pontos. O dólar encerrou quase estável (-0,11%), cotado a R$ 5,658.

Obrigada, bom fim de semana e até o próximo Panorama Semanal.

* Dados atualizados até as 9h do dia 5/3

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